Agosto Lilás: informação, acolhimento e conscientização pelo fim da violência contra a mulher

Todos os anos, agosto amplia uma discussão que precisa permanecer presente durante os outros onze meses: o enfrentamento à violência contra a mulher. Instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448/2022, o Agosto Lilás é o mês de proteção à mulher e de conscientização pelo fim da violência, mobilizando poder público, organizações e sociedade em torno da prevenção, da informação e da divulgação dos mecanismos existentes de proteção às vítimas.


A campanha ganha ainda mais significado por agosto também marcar o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 e considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar no Brasil. Vinte anos depois, porém, os dados mostram que ampliar o conhecimento sobre o problema, reconhecer suas diferentes manifestações e fortalecer as redes de acolhimento continuam sendo desafios urgentes para toda a sociedade.


Os números mostram por que ainda precisamos falar sobre violência contra a mulher


Os dados mais recentes dimensionam a gravidade do problema. Segundo o Ministério das Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 155.111 denúncias de violência contra mulheres em 2025, média de aproximadamente 425 denúncias por dia. Ao longo do ano, foram mais de 1 milhão de atendimentos, enquanto o total de violações relatadas chegou a 679 mil — uma mesma denúncia pode envolver diferentes tipos de violência.


Os registros também mostram que o problema frequentemente está mais próximo do que imaginamos. Em 2025, a casa da própria vítima apareceu como cenário em 40,76% das denúncias realizadas ao Ligue 180, enquanto outros 28,58% ocorreram na residência compartilhada pela vítima e pelo suspeito. Em quase um terço das denúncias, as violações aconteciam diariamente, e mais de 32 mil registros relatavam situações que já duravam havia mais de um ano.


O cenário mais recente também exige atenção. O Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026. Embora o número represente redução de 2,5% em comparação ao mesmo período de 2025, a dimensão permanece alarmante: são, em média, mais de quatro mulheres vítimas de feminicídio por dia no país.


Violência não é apenas agressão física


Um dos papéis mais importantes da conscientização é ajudar a reconhecer situações de violência que nem sempre deixam marcas visíveis. A Lei Maria da Penha contempla diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, incluindo violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ameaças, humilhações, isolamento, controle financeiro, constrangimentos, destruição de bens e outras formas de coerção também podem fazer parte de contextos abusivos.


Os próprios registros recentes evidenciam essa realidade. Entre as violações comunicadas ao Ligue 180 em 2025, a violência psicológica foi a modalidade mais frequente, com mais de 339 mil registros, seguida pela violência física, com mais de 104 mil. Também foram contabilizadas 36.938 ocorrências de violência patrimonial e 20.534 de violência sexual.


Reconhecer essas manifestações é fundamental porque a violência pode começar de maneira menos evidente e se intensificar ao longo do tempo. Informação, portanto, não serve apenas para orientar quem já identificou uma agressão: ela pode ajudar mulheres, familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas a perceber sinais que antes eram normalizados ou não compreendidos como violência.


Novas formas de violência também exigem atenção


O avanço da vida digital acrescentou uma dimensão importante a esse debate. Perseguição online, ameaças, invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, chantagem e até a utilização de inteligência artificial para produzir imagens manipuladas passaram a integrar as formas pelas quais mulheres podem ser violentadas.


Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres em junho mostram que, somente nos cinco primeiros meses de 2026, o Ligue 180 registrou 16.725 ocorrências relacionadas a violências no ambiente digital. No mesmo período de 2025, haviam sido 5.795 — uma alta de 188,6%. O crescimento dos registros também pode refletir maior conhecimento e utilização dos canais de denúncia, mas evidencia a necessidade de atualizar permanentemente as estratégias de prevenção e proteção.


Essa transformação reforça um ponto central do Agosto Lilás: combater a violência contra a mulher exige compreender como ela se manifesta em diferentes ambientes. A proteção precisa acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas para que novas formas de agressão não sejam invisibilizadas.


Informação e acolhimento podem fazer diferença


Diante de uma situação de violência, acolher significa ouvir sem julgamento, evitar culpabilizar a vítima e respeitar o seu tempo e suas decisões. Perguntas como “por que ela não saiu antes?” ignoram que relações abusivas podem envolver dependência financeira, ameaças, filhos, isolamento social, medo e diferentes formas de controle que tornam o rompimento muito mais complexo do que pode parecer para quem observa a situação de fora.


Também é importante compreender que o enfrentamento à violência não é responsabilidade exclusiva da vítima. Familiares, amigos, colegas, organizações e instituições podem contribuir criando ambientes nos quais exista informação, escuta e conhecimento sobre os caminhos disponíveis para buscar proteção.


Essa é uma das razões pelas quais campanhas de conscientização continuam relevantes. Quanto mais pessoas souberem identificar diferentes formas de violência e conhecerem os canais de orientação e denúncia, menor será o espaço para que comportamentos abusivos sejam tratados como normais.


O papel das organizações também passa pela conscientização


Empresas e instituições fazem parte da sociedade e, consequentemente, também podem contribuir para ampliar o alcance de informações que protegem vidas. Isso não significa substituir profissionais especializados ou assumir funções dos serviços públicos de proteção, mas reconhecer que os ambientes organizacionais são espaços importantes de convivência, relacionamento e circulação de informação.


Promover conteúdos de conscientização, preparar lideranças para lidar adequadamente com relatos sensíveis, divulgar canais oficiais e construir uma cultura baseada em respeito são exemplos de como organizações podem participar desse movimento. A própria legislação que instituiu o Agosto Lilás prevê ações intersetoriais e campanhas educativas destinadas a esclarecer e sensibilizar a sociedade sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.


Para a Brazil Dental, falar sobre saúde também significa reconhecer questões que afetam a segurança, a dignidade e o bem-estar das pessoas. Ao abrir espaço para o Agosto Lilás, reforçamos uma mensagem que ultrapassa qualquer relação comercial: violência contra a mulher não deve ser naturalizada, silenciada ou ignorada.


Agosto termina. A conscientização não.


O Agosto Lilás cria um período de maior visibilidade, mas o enfrentamento à violência contra a mulher exige atenção permanente. Os números mostram a dimensão do desafio, enquanto cada denúncia representa uma história que não pode ser reduzida a uma estatística.


Informar ajuda a reconhecer. Reconhecer pode ajudar a interromper ciclos de violência. E construir uma sociedade em que mulheres possam viver com segurança e dignidade depende de uma responsabilidade compartilhada, presente nas famílias, nas relações, nas instituições e nos espaços profissionais.


Que o Agosto Lilás seja, portanto, mais do que uma campanha no calendário: seja mais uma oportunidade de ampliar conhecimento, fortalecer redes de proteção e lembrar que o enfrentamento à violência contra a mulher é um compromisso de todos.

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O mês de abril também é marcado pela campanha Abril Verde, um movimento dedicado à conscientização sobre a importância da saúde e segurança no trabalho. A iniciativa busca reforçar a necessidade de ambientes mais seguros, da prevenção de acidentes e da promoção do bem-estar no dia a dia profissional, destacando que o cuidado com as pessoas deve ser parte essencial da cultura das organizações. Mais do que cumprir normas e exigências legais, falar sobre saúde e segurança no trabalho é reconhecer que o ambiente profissional exerce influência direta sobre a qualidade de vida, o desempenho e a sustentabilidade das operações. Nesse contexto, a prevenção passa a ser um elemento estratégico, capaz de reduzir riscos, melhorar a produtividade e fortalecer relações mais saudáveis dentro das empresas. Saúde e segurança como parte da cultura organizacional A construção de ambientes de trabalho mais seguros começa pela forma como as empresas enxergam o cuidado com seus colaboradores. Quando a saúde e a segurança deixam de ser tratadas apenas como obrigação e passam a fazer parte da cultura organizacional, o impacto positivo se estende para toda a operação. Isso envolve desde a adoção de boas práticas no dia a dia até a implementação de processos estruturados que garantam acompanhamento contínuo e identificação de riscos. Empresas que priorizam a prevenção tendem a operar de forma mais eficiente, reduzindo afastamentos e melhorando a experiência dos colaboradores , o que também contribui para resultados mais consistentes ao longo do tempo. Prevenção de riscos e promoção do bem-estar A prevenção é um dos pilares centrais da saúde e segurança no trabalho. Identificar riscos, promover ações educativas e incentivar hábitos mais saudáveis são medidas que ajudam a evitar acidentes e doenças ocupacionais, criando um ambiente mais equilibrado e produtivo. Além disso, o cuidado com o bem-estar vai além da prevenção de acidentes físicos. Aspectos como saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional também devem ser considerados na construção de um ambiente de trabalho saudável. Quando esse cuidado é contínuo, os benefícios são percebidos tanto pelos colaboradores quanto pela organização. O papel da saúde bucal no contexto corporativo Dentro da saúde ocupacional, a saúde bucal também desempenha um papel relevante, embora muitas vezes seja negligenciada. Problemas odontológicos podem impactar diretamente o desempenho profissional, causando desconforto, dor e até afastamentos, além de influenciar aspectos como alimentação e comunicação no ambiente de trabalho. Integrar a saúde bucal às estratégias de cuidado corporativo contribui para uma abordagem mais completa e preventiva. O acompanhamento odontológico regular ajuda a reduzir intercorrências, melhora a qualidade de vida dos colaboradores e fortalece uma visão mais ampla de saúde dentro das empresas . Gestão e estrutura como pilares do cuidado eficiente Para que a saúde e segurança no trabalho sejam efetivas, é fundamental contar com uma estrutura organizada e com processos bem definidos. A integração entre empresas, operadoras e redes de atendimento permite que o cuidado seja mais ágil, acessível e contínuo, facilitando o acompanhamento e a prevenção ao longo do tempo. Nesse cenário, a gestão eficiente se torna um diferencial estratégico, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma adequada e que os colaboradores tenham acesso a serviços de qualidade. Estruturar o cuidado em saúde não apenas reduz riscos, mas também contribui para modelos mais sustentáveis e eficientes dentro das organizações . Abril Verde como um compromisso contínuo O Abril Verde reforça a importância de promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, mas também destaca que esse cuidado deve ser permanente. A conscientização é o primeiro passo, mas é a partir da implementação de práticas consistentes e da valorização da prevenção que as mudanças se tornam reais. Incorporar a saúde e a segurança como parte da estratégia das empresas é investir diretamente no bem-estar das pessoas e na eficiência das operações. Ao longo do tempo, esse compromisso se traduz em mais qualidade de vida, melhores resultados e um ambiente de trabalho mais equilibrado para todos.